7.5.03
 
TESTE!!!


1.4.03
 
39 ANOS ESTA NOITE

Há trinta e nove anos atrás, na madrugada entre 31 de março e 1º de abril de 1964, o Brasil entrava numa longa noite de autoritarismo. Nascia ali o episódio que seus protagonistas batizariam de Revolução Democrática de 31 de Março e seus coadjuvantes de Golpe de 64.

Aqueles que classificariam o acontecimento como Revolução apearam do poder aqueles que hoje tratam o episódio por Golpe. Golpe ou revolução, o fato é que o Brasil e os brasileiros não seriam mais os mesmos a partir daquela noite.

Tudo o que não aconteceu dali pra frente foi a democratização do país. Foram 21 anos em que o brasileiro foi alijado dos mais elementares direitos democráticos. Seriam necessários ainda mais quatro anos até que houvesse uma eleição direta para presidente da república. 31 de Março representou a inclusão do Brasil no rol das ditaduras militares que pululavam pelo continente.

Mas há uma face oculta no episódio que deve ser rememorada; os motivos que culminaram na deposição do então presidente da república e o fim da Constituição de 46.

Pouco se fala disso mas a verdade é que o governo João Goulart se encaminhava para um total desastre. O crescimento do populismo, aliado a radicalização dos comuinistas e o advento das primeiras células terroristas/guerrilheiras só poderiam redundar num único caminho: o da tragédia.

A tibieza de Goulart permitiu o surgimento de inúmeras organizações que vinham com o objetivo firme de fazer do Brasil uma imensa Cuba. Fidel recebia e preparava jovens brasileiros para implantar células terroristas enquanto Francisco Julião incendiava o campo. Brizola, encastelado no Rio Grande do Sul, impelia o presidente (que era seu cunhado) a botar o "bloco na rua" e hoje é mais do que sabido que Goulart também pretendia o golpe. A movimentação dos quarteis que geraria a Redentora (noutro epíteto lisonjeiro criado pelos seus defensores) se fez premente e, infelizmente, necessária.

A expulsão de Goulart e o endurecimento nos salvou de um desfecho comunista? Sim. E este é o valor que o 31 de Março teve em nossa história. Mas como nos salvou é que gera dúvidas. A verdade é que os efeitos colaterais do remédio tomado naquela noite foram sentidos até 1985. E foram quase tão piores do que a doença que se desejava combater.

Nenhuma outra efeméride é tão dúbia quanto esta. Deve-se celebrar hoje o advento do regime que nos libertou do comunismo ou a implantação da ditadura que esmagou a democracia brasileira por 21 anos? Deve-se comemorar o governo que desbaratou as células terroristas/guerrilheiras com 100% de eficácia ou a banalização da violência que adveio desta luta?

Sabemos que o 15 de Novembro de 1889 foi uma tragédia; que o 13 de Maio de 1888 foi um júbilo (que só os movimentos negros não querem admitir) e que o 7 de Setembro de 1822 foi o início de um processo de independência que só viria de fato com o Segundo Reinado. Mas e o 31 de Março? Nós nem sabemos se ele deve ser lembrado neste dia ou em 1º de abril!?

Creio que hoje seja um dia de reflexão. Deveríamos nos lembrar de tudo o que acontecia com este país antes e o que houve depois daquela noite. E perceber que as realidades presentes na época se repetem hoje.

O que há de muito diferente entre 31 de março de 1964 e em 31 de março de 2003? Será que Brizola hoje não atende pelo nome de Heloísa Helena? Será que Francisco Julião não "evoluiu" para um Stédile? A fraqueza farisaica de Lula não é idêntica a de Goulart?

O Brasil teve uma grande lição há 39 anos atrás. Mas não assimilou a aula e repete as mesmíssimas situações que mergulhariam o país na longa noite da ditadura. Será que em breve um novo 31 de Março não se fará necessário? Será que teremos que arcar novamente com as funestas conseqüencias de tão violento remédio? Será que nossa liberdade e a manutenção de nossa democracia será levada à cabo como naqueles anos, através de medidas tão terríveis? Está nas mãos dos próprios brasileiros evitar mais esta tragédia.



31.3.03
 
39 ANOS ESTA NOITE

Há trinta e nove anos atrás, em 31 de março de 1964, o Brasil entrava numa de suas fases mais negras.

A Revolução de 31 de Março para quem a fez ou o Golpe de 64 para quem ela foi destinada igualou o Brasil à condição de ditadura militar que já grassava em vários países sul-americanos.

Hoje poucos hão de se recordar deste aniversário. O 31 de Março já não é mais feriado nem data nacional desde a redemocratização. É justo. Tudo o que não houve nos 21 anos seguintes foi democracia plena.

Mas há uma face da Redentora que as pessoas não gostam de rememorar. Mas o fato é que a movimetação dos quarteis que deu origem ao golpe teve motivações concretas e urgentes. Nós esquecemos, mas João Goulart era um desastre; havia uma movimentação franca de comunistas junto às altas esferas do poder e a quartelada teve um propósito louvável. O que veio depois é que atrapalhou tudo.

Infelizmente os acontecimentos de 31 de Março de 1964 redundaram num remédio cujos efeitos colaterais foram quase piores do que a doença que ela deveria combater. Fomos salvos do comunismo? Sim, fomos. Mas não escapamos de muita coisa que o comunismo também nos daria: Violência, arbitrariedade e baderna.

31 de Março é uma efeméride dúbia em nosso calendário. Comemorar o dia em que repelimos a movimentação comunista em nossa terra ou lamentar a inclusão do Brasil no rol das ditaduras latinas? Celebrar o governo que desmontou os grupos terroristas/guerrilheiros ou rememorar a ditadura que usou das mais sórdidas tecnicas para consegui-lo?

A Redentora foi o acontecimento mais híbrido da história do Brasil. Talvez nunca se chegue a uma conclusão definitiva sobre que papel ela teve em nós; se foi positivo, negativo ou ambos.

Nenhuma outra data é tão indefinida. O 15 de Novembro de 1889 foi uma tragédia; o 7 de Setembro de 1822 um ensaio para a independência de fato que viria gradativamente; o 13 de Maio de 1888 um júbilo (que só os movimentos negros não querem admitir). Mas o que foi que aconteceu a partir de 31 de Março de 1964? Nem se sabe direito se o golpe se deu em 31 de março ou 1º de abril!

Acho que hoje nós deveriamos rememorar essa data em silêncio. Para percebermos que a situação que culminou em 64 pode se repetir em breve. Com todas as suas indefinidas conseqüências.



29.3.03
 
UM LONGO DIA

Perdõm-me aqueles que se acostumaram mal rápido demais e estranharam a ausência de dois Quando eu digo, eu falo diário.

Pra ser sucinto, tive um dia longo demais, que começou ainda na quinta-feira e ainda não terminou.

Um dia trágico para minha família e para pessoas de que eu gosto. Um dia para se esquecer...

Se é que é possível!



27.3.03
 
QUANDO EU DIGO, EU FALO DIÁRIO (27/03/2003):

Para vereadores cariocas, paz só no Iraque

A câmara da cidade do Rio de Janeiro aprovou a moção proposta pelo vereador Fernando Gusmão declarando o presidente norte-americano George W. Bush persona non grata no município.

O palácio Pedro Ernesto, sede da câmara carioca na Cinelândia, passou todo o dia de anteontem discutindo e votando a moção de repúdio ao presidente Bush e à guerra do Iraque.

Oito estações de metrô na direção da Zona Norte, três assaltantes renderam o bilheteiro de uma cabine de venda de passes da estação de São Francisco Xavier, no bairro da Tijuca. Balearam um policial brasiliense que assistiu ao assalto e foram atacados por outro policial que chegava à estação naquele momento. Na troca de tiros balearam a jovem Gabriela do Prado Monteiro de apenas 14 anos. Atendida por passantes, ela foi encaminhada a um pronto-socorro onde já chegou morta.

Os guardas metroviários não possuem autorização para andar armados em serviço. Como funcionários do município, eles são impedidos de usar revólveres na segurança das estações. O tiroteio foi obra de uma azarada coincidência. Os assaltantes resolveram render o bilheteiro no momento em que dois policiais à paisana se preparavam para usar o metrô. O roubo de bilheterias no metrô da cidade do Rio de Janeiro vem sendo comum cada vez mais. A responsabilidade pela segurança dos passageiros cabe ao município, logo, é de responsabilidade dos mesmos vereadores que batem ponto no palácio Pedro Ernesto, oito estações depois.

Fernando Gusmão é vereador pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Candidatou-se ao senado nas últimas eleições. Defendia a legalização das drogas e prometia, se eleito, lutar pela permanência da idade mínima de 18 anos para indiciamento criminal. Apesar de expressiva votação não conseguiu a vaga no senado federal e voltou à câmara municipal.

Como vereador, foi responsável pelas várias tentativas de se conceder o título de cidadão honorário carioca para o terrorista internacional Yasser Arafat. Arafat só não foi considerado cidadão honorário da cidade graças ao então vereador Gerson Bergher, que barrou as votações. Mas Fernando Gusmão conseguiu fazer com que Arafat recebesse a Medalha Pedro Ernesto, tendo enviado uma comitiva de colegas seus à Israel, onde tentaram inutilmente dar a comenda ao terrorista. Não foram recebidos e retornaram ao Brasil com a medalha no bolso. Toda a despesa com o envio dos vereadores à Israel foi creditada nos cofres públicos do município.

Gabriela do Prado Monteiro era a filha única de um casal de psicólogos. Aos 14 anos de idade, era impedida de sair sozinha de casa porque seus pais tinham medo da violência urbana. Gabriela foi morta no momento em que lhe foi permitida, pela primeira vez na vida, sair sozinha da casa de sua avó. Ela deveria apanhar o metrô em São Francisco Xavier para se encontrar com a mãe na estação de Saëns Peña, 500 metros adiante. Nem chegou a apanhar o trem, morrendo na escadaria de acesso à plataforma.

A alegação do nobre edil comunista para sua moção de repúdio é a de que “os EUA promovem um massacre no Iraque, estimulando a violência e matando inocentes”. Os vereadores da cidade do Rio de Janeiro repudiavam a violência de uma guerra que se desenrola a milhares de quilômetros do Brasil enquanto uma adolescente morria em meio à guerra urbana de todos os dias que se desenrola nesta cidade.

Sabe-se que o principal fator de estímulo à violência que ora grassa no Rio de Janeiro é a existência do crime organizado. Crime este que se tornou organizado quando terroristas como Yasser Arafat e comunistas como Fernando Gusmão cumpriam pena no presídio da Ilha Grande nos anos 70. Ali nasceria o Comando Vermelho, fruto híbrido da bandidagem comum com as técnicas de guerrilha urbana marighelistas.

Fernando Gusmão não está preocupado com as mortes causadas pela guerra do Iraque. Seu fito é o de repudiar os EUA e tudo aquilo que este país representa. Gusmão é o resultado acabado de uma ideologia totalitária, que deve a sua derrocada às ações dos EUA na segunda metade do século passado. Mas para Gusmão, os mortos pelos EUA na guerra do Iraque valem muito mais do que os mortos na nossa guerra. Guerra que é nossa graças à mesma ideologia que Fernando Gusmão professa.

Gusmão há de ter dormido bem a noite seguinte à aprovação de sua moção. Nada pode ser mais tranqüilizador do que a noção do dever cumprido. Como terão dormido Cleide e Carlos Santiago Ribeiro, pais de Gabriela, esta noite?

George W. Bush tem seus próprios mortos para se preocupar e tem o peso de outros mortos (os civis iraquianos) por arcar. Decerto, saber que agora é persona non grata no Rio de Janeiro não deve lhe afetar em nada nas suas atribuições. Os vereadores cariocas deveriam se preocupar com os seus mortos, mas fazem da tribuna que deveria ser usada para sanar os problemas da cidade como palco (o mais correto seria dizer picadeiro) para manifestações que em nada dizem respeito às atribuições de seus cargos.

Mas o vereador Fernando Gusmão; este não tem mortos por se preocupar. Na sua consciência não pesam os 120 milhões de mortos que a sua ideologia espalhou pelo mundo no último século. Só há um cadáver, que nem morto está ainda, que lhe tira o sono; o de Saddam Husseim.

Na tarde de hoje foi armada uma tenda na porta do palácio Pedro Ernesto. Ali encenou-se uma pantomima ridícula em nome da “paz”. Sujeitos que anteontem atiravam coquetéis molotov em lanchonetes da cidade agora acendiam velas pelos mortos no Iraque. Nenhuma vela foi acesa por Gabriela, que era cremada no cemitério do Caju, na Zona Portuária naquele momento.

Para os vereadores cariocas, paz só no Iraque.

Ilusão americana

Desde o Vietnã que os americanos vêm desenvolvendo técnicas de “guerra inteligente”, com o objetivo de tornar os combates menos sangrentos e diminuir o número de mortos.

Durante a primeira Guerra do Golfo em 1991, o mundo viu pela primeira vez as imagens de mísseis guiados por câmeras que acertavam seus alvos com uma precisão dita “milimétrica”. Mas foram inúmeros os casos onde a tecnologia não pôde impedir erros.

12 anos depois, os avanços na área da computação permitiriam, segundo a propaganda americana, uma precisão ainda maior em combate.

O que os americanos não contavam é com o fato de que não existe máquina infalível. Por mais avançada que seja uma tecnologia, as falhas devem sempre ser esperadas.

Mas a própria opinião pública americana faz este mito se espalhar e se fundamentar nas mentes. Por mais avançada e moderna que seja a armada norte-americana, os erros são um fator que deve ser administrado.

Bush e o povo americano esperavam que esta guerra seria um passeio pelo deserto. Não está sendo.

Winston Churchill, quando teve de definir como seria a guerra contra a Alemanha nazista ao povo inglês, disse que “os ingleses não devem esperar mais do que sangue, suor e lágrimas”. Bush falou nos objetivos (justíssimos por sinal) da guerra contra o Iraque, mas se iludiu quando imaginou que em uma semana penetraria o território iraquiano, derrubaria Saddam Husseim, seria recebido como herói e voltaria para casa com todos os seus soldados deixando uma democracia plantada no deserto.

Outro mito que a propaganda americana espalhou e parece acreditar é o de que as “bombas inteligentes” têm a capacidade de selecionar os seus mortos, eliminando apenas os culpados e poupando os inocentes. Mesmo nos ataques onde os mísseis acertam em cheio os seus alvos, a perda de vidas inocentes é inevitável. A utilização de escudos humanos por parte dos iraquianos piora ainda mais essa realidade.

Bush e seus generais teriam feito muito melhor se não tivessem se iludido quando ao alcance da tecnologia de suas armas. Nem elas tornaram as batalhas mais “limpas” nem tornaram seus soldados intransponíveis. Os 48 homens mortos do lado da coalizão anglo-americana são a prova disso.

O pior é que estes acontecimentos passam a abalar o moral das tropas e da opinião pública americana. E dá aos opositores das ações americanas o duvidoso gostinho de “vitória”.

Mercado

Além de dar imagens que são o deleite dos “pacifistas”. O mercado atingido por dois mísseis hoje em Bagdá forneceu à mídia pró-Iraque as cenas que todos esperavam. Civis mortos; a pecha de assassinos para os americanos e a óbvia contestação da eficiência da “guerra inteligente”.

O mercado destruído por engano foi, até o presente momento, o maior erro tático dos americanos nesta guerra. E afasta ainda mais a já remota possibilidade de uma adesão do povo iraquiano à nova ordem democrática que virá após a vitória americana.

Nota realista

A morte de civis no mercado de Bagdá hoje choca qualquer pessoa. Mas em nada difere das mortes causadas pelos homens-bomba que Saddam financia e que se detonam em mercados de Israel.

Os iraquianos sentiram na pele o que os israelenses sentem há anos. Com a diferença de que o mercado de Bagdá foi explodido por um erro. Já os mercados israelenses explodem propositadamente e as famílias dos terroristas são premiadas com US$ 25.000 cada uma.

Poesia

Français!...
Rendez grâce à Chirac;
Votre bonheur est sans égal.
Vous avez défendu l'Irak
Et perdu tout sens moral.

(Autor desconhecido)

Terrorismo bem gelado

Alunos do curso de História da USP denunciam:

Há um mês foi montada uma banca no interior do centro acadêmico que vende cerveja a R$ 1,00 a lata.

O comércio de bebidas alcoólicas é proibido nas dependências da FFLCH-USP mas foi autorizado pelo chefe do departamento de História da faculdade, o Prof. Osvaldo L. Ángel Coggiola.

O motivo da autorização especial é explicado no cartaz que anuncia a banca:

ARRECADAÇÃO $ BAADER-MEINHOF - BREJA R$ 1,00

O grupo terrorista Baader-Menhof foi o responsável por centenas de atentados que aterrorizaram a Alemanha Ocidental nos anos 60 e 70 e pretende voltar à ativa, agora lutando contra a globalização.

O centro acadêmico da USP é dominado por militantes de partidos como o PSTU, PCO e PCdoB.



26.3.03
 
QUANDO EU DIGO, EU FALO NA GUERRA DO IRAQUE E NO BRASIL:
(26/03/2003)

Blair já admite dificuldades em Bagdá

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, Já admite que “o pior virá em Bagdá”.

”Pacifistas” transformam centro do Rio em praça de guerra

Uma turba de aproximadamente 50 pessoas de grupos de esquerda promoveram um quebra-quebra no centro do Rio de Janeiro na tarde de ontem.

O auto-denominado Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MPER) atirou bombas caseiras contra a fachada do consulado norte-americano na Rua México e agrediram um policial à pedradas.

Uma lanchonete Mac Donald’s também foi vandalizada, bem como agências dos bancos Santander (espanhol); Bradesco e Banco do Brasil (brasileiríssimos).

As cenas de violência em nome da “paz” tiveram a ajuda de um grupo de 20 membros do PCdoB e do MST acampados na porta do consulado americano. Dizendo-se representantes de um certo “movimento de apoio ao povo palestino”, os comunistas costumam importunar pedestres com panfletos pedindo o boicote de empresas americanas. Afirmam ainda que “a Amazônia será o próximo alvo das ações imperialistas de George Bush”.

Há pouco mais de um ano a mesma loja da rede Mac Donald’s foi explodida durante a madrugada. Os responsáveis pelo ato terrorista jamais foram presos, embora presuma-se que o ato tenha vindo de membros do PSTU em protesto “contra a globalização”.

Não é apenas no Brasil onde esquerdistas mostram a sua verdadeira face terrorista falando em “paz”. Em diversos países as manifestações “pacifistas” terminam em confusão, quebra-quebra e feridos de ambos os lados.

Maoístas

A verdadeira face do pacifismo é a face do terror. Os que defendem Saddam defendem o terror não apenas como metodologia política mas também como stile of life pessoal. O medo dessa gente, mais do que perder um aplicado useiro destes métodos na figura do ditador iraquiano, é perder a razão para suas próprias vidas.

O MPER é famoso no Rio de Janeiro pelas pichações que espalha pela cidade conclamando à luta armada e à revolução comunista. Seguem a linha maoísta e preconizam a derrubada violenta da democracia para a instituição de uma ditadura do proletariado nos mesmos moldes da ditadura que massacrou milhões de chineses no último século.

Nada menos pacifista do que pregar um regime totalitário e feroz como o comunismo maoísta. No entanto esses dementes continuam a aprontar das suas com o aplauso incauto da população e o beneplácito das autoridades que se omitem diante deste verdadeiro ovo da serpente.

Bíblia

Da coluna de Ancelmo Gois n’O Globo de 24/03:

Bush continua usando o nome de Deus, apesar do pedido do Vaticano para deixar o Criador em paz. A Bíblia (João, 16) alerta que “vai chegar a hora em que alguém, ao matar vocês, pensará que está oferecendo um sacrifício a Deus... Eles farão assim, porque não conhecem o Pai nem a Mim”.

Gois usou uma versão compilada do trecho. Segundo me alertou o leitor Flávio Alexandre de Carvalho Nascimento; João, 16 diz o seguinte:

”Tenho vos dito estas coisas para que vós não escandalizeis. Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a Mim.”

Se Gois aprendeu a compilar a Bíblia durante os 18 meses em que foi um dedicado aluno da Escola de Formação de Jovens Quadros, a Konsomol de Moscou eu não sei. Mas a comparação entre o que o colunista colocou n’O Globo e o que realmente está no Livro Sagrado nos evidencia que há uma grande diferença entre o que o primeiro dá a entender e o segundo.

Outra coisa que espanta é vem como Gois coloca o Vaticano como “dono” de Deus, fazendo crer que é necessário pagar royalties para o uso correto do nome do Criador. O Deus dos católicos não difere do Deus dos protestantes (como Bush e a maioria do povo americano) nem do Deus dos judeus e até dos islamitas, como Saddam Husseim.

João, 16 alerta para os falsos profetas; aqueles que surgiriam depois de Jesus Cristo pregando o mal como se fosse o bem. Devemos lembrar da face profética e “reformadora” que Osama Bin Ladem e outros líderes islãmicos da atualidade usam em seus discursos. Saddam Husseim costuma batizar todas as suas ações bélicas como “guerras santas” e usa o nome de Alá (Deus) para invocar proteção ao seu regime. O atentado às Torres Gêmeas em Nova Iorque foram saudados por Saddam e Bin Ladem como “obra da vontade de Deus”. Não me lembro do Vaticano ter chiado contra esse uso do Santo Nome em vão.

Gois dá a entender que Bush e os americanos seriam uma espécie de Anti-Cristo, usando até a Bíblia como “prova”. ”Eles farão assim, porque não conhecem o Pai nem a Mim”. O ex-presidente José Sarney declarou na semana passada que Bush é “um fanático religioso, que vai à tevê fazer orações”. Assisti aos pronunciamentos do presidente americano na tevê e posso garantir que o máximo que Bush fez foi repetir a velha divisa “God bless America”. Marimbondos de fogo me mordam se isso é uma oração!

Líder muçulmano brasileiro diz que ”judeus são o câncer da humanidade”

O presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana, Mohamad Nassib Mourad, declarou durante culto na mesquita Brasil em São Paulo que “os judeus são o câncer da humanidade; desrespeitando todas as leis desde o início dos tempos.”

Mourad, que é de origem libanesa, declarou ainda na prédica da Sexta-feira que era presidida pelo xeque egípcio Mahmoud Ahmad Al Bayuni, que “Tony Blair é um pirata do mar; George W. Bush é um caubói” e classificou os EUA como “uma nação maldita” e Israel como “um estado artificial, dirigido pelo terrorista Ariel Sharom”.

Esta semana, o deputado federal Fábio Feldman (PSDB-SP) e a deputada estadual Célia Leão (PSDB) pediram a abertura de um inquérito contra Mohamad Nassib Mourad. A Confederação Israelita Brasileira (Conib) e a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) também pediram investigações contra o líder muçulmano brasileiro que cometeu o crime de discriminação racial (lei 7.716, de 1989) e pode ser condenado a penas que variam entre um e três anos de prisão.

Mito de boa vizinhança

Nós brasileiros nos acostumamos com o mito de que aqui “árabes e judeus sempre conviveram pacificamente”.

Existe um velho ditado iídiche que diz que “meia verdade é bem pior do que uma mentira inteira”. Árabes e judeus sempre conviveram em harmonia em terras tupiniquins, é verdade. Mas costumamos esquecer que a grande maioria dos árabes que imigraram para o Brasil ao longo do último século professavam o cristianismo maronita ou ortodoxo ou até o próprio judaísmo, sendo os islamitas uma ínfima minoria.

A maior colônia maometana no Brasil concentra-se na Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, sendo que há mais de dez anos que especialistas em segurança internacional apontam a região como um posto avançado de criação de fanáticos fundamentalistas. Judeus e turistas que visitam as Cataratas do Iguaçu são aconselhados a não usar peças de vestimenta que os identifique como tais para evitar perseguições por parte dos habitantes islamitas da região. Há alguns anos um casal de turistas evangélicos brasileiros sofreu uma tentativa de linchamento por estarem usando uma camiseta comprada em uma viagem à Israel.

Mesmo antes dos atentados de 11 de Setembro de 2001 que o Mossad; serviço secreto de Israel, vem apontando aos governos do Brasil, Argentina e Paraguai sobre a necessidade de se vigiar as atividades da comunidade islamita de Foz do Iguaçu. A CIA também pediu a ajuda dos governos dos três países logo após os atentados para investigar a área. Na semana passada veio a confirmação que a alta cúpula da Al Qaeda freqüentou as mesquitas de Foz do Iguaçu, inclusive Osama Bin Ladem em pessoa. O único governo a admitir a presença de terroristas maometanos na Tríplice Fronteira foi o do Paraguai. Argentina e Brasil negam o fato e insistem em manter os olhos bem fechados para a movimentação terrorista na região.

O mito de harmonia entre comunidades cai por terra quando se constata estes fatos. A única nota digna de otimismo foi dada pelo xeque Ali Abdouni, presidente da Assembléia Mundial da Juventude Islâmica na América Latina. Ele declarou estar chocado com as declarações de Mohamad Nassib Mourad na última sexta-feira e acrescentou: “O Alcorão nos ensina que não se deve injustiçar um grupo inteiro em razão das atitudes malévolas que alguns praticaram."

Se todos os líderes da comunidade maometana no Brasil pensassem como o xeque Ali Abdouni decerto não teríamos material para derrubar o mito de boa convivência entre judeus e islamitas no Brasil. Mas infelizmente, o pensamento de Ali Abdouni não é o mesmo da maioria dos líderes de sua religião e o mito continua mitológico.

Enquete

Segundo enquete realizada pelo portal Globo.com, 79,9% dos brasileiros acham que George W. Bush é um risco maior para a humanidade do que Osama Bin Ladem e Saddam Husseim.

79,9% dos leitores do jornal O Globo esqueceram quem mandou explodir aviões contra as Torres Gêmeas e quem massacrou os civis curdos no Iraque.

Mas 100% dos leitores d’O Globo são “lembrados” diariamente de que esta é a Guerra de Bush.

Você ficou espantado(a) com esse resultado?

Nem eu.

São Lula agora dá uma de general

Sua Excrescência o presidente do Brasil, declarou que declarará guerra contra a fome e o crime organizado.

São Lula fez do programa Fome Zero a piece de resistence de sua milionária campanha rumo à presidência. Durante o discurso de posse repetiu inúmeras vezes que “quem tem fome tem pressa”. Só que o Fomiséria ainda não saiu do papel.

Desde a sua posse até hoje decorreram 85 dias. Sabe-se que o máximo que um ser humano agüenta sem comer é em média 15 dias. Logo, os esfomeados que em 1º de janeiro aguardavam a comida prometida pelo Padim Lula ou já morreram de inanição ou partiram para outras maneiras de saciar sua fome.

Já a guerra que o general São Lula promete deflagrar contra o crime organizado tem ares de comédia. Até as pedras sabem que a matriz do crime organizado no Brasil funciona na Colômbia (uma verdadeira holding) e atende pelo nome de Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Seu principal executivo encontra-se atualmente preso na penitenciária de Presidente Prudente, SP e tem ligações com traficantes de armas do Oriente Médio que usam seus produtos como moeda de troca para a aquisição de drogas oriundas da mesma Colômbia. E que estas armas e drogas circulam com desenvoltura pelo território brasileiro graças ao beneplácito das autoridades do próprio país. Logo, o general Lula deve iniciar sua campanha de guerra agindo contra gente que lhe ajudou na campanha, conforme denunciou na semana passada o Deputado Federal Alberto Fraga. Se São Lula, investido do papel de comandante-em-chefe da guerra contra o crime organizado, tiver que apontar as suas baterias contra todos os responsáveis pelo descalabro que permitiu o assassinato de mais um juiz, desta vez no Espírito Santo, ele corre o sério risco de ter de atirar contra posições muy amigas. Vai ser pior do que a batalha por Bagdá.



24.3.03
 
QUANDO EU DIGO, EU FALO NA GUERRA DO IRAQUE E NO BRASIL:

O senhor da guerra?

No que depender dos jornais tupiniquins, esta é a “Guerra de Bush”.

É exatamente assim que O Globo noticia todos os dias; a Guerra de Bush. Os demais periódicos brasileiros não alteram a tônica comum.

Ok, Bush é o mandante, por assim dizer, da invasão ao Iraque. Mas fica evidente a intenção dos redatores em imputar à Bush e aos americanos a responsabilidade total pela guerra, como se o conflito tivesse como origem simplesmente na “vontade” americana de fazer a guerra.

Ignoram os jornalistas (ou fingem ignorar, sei lá) que há um motivo para esta guerra. E fazem questão de ocultar do público toda a escalada de acontecimentos que culminaram na invasão de semana passada, acontecimentos estes que são muito anteriores até à própria eleição de George W. Bush.

O reflexo desta desinformação é sentido dentro dos próprios jornais, nas seções de cartas dos leitores. E lá que os jornalistas colhem os frutos das maquinações ao constatar como o público brasileiro encontra-se anestesiado da realidade.

GE-NO-CÍ-DIO

A palavra mais utilizada pelos leitores brasileiros para definir a ação americana no Iraque é GENOCÍDIO.

Segundo o Aurélio, genocídio consiste na destruição, total ou parcial, de um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Logo, temos como exemplo de ação genocida o que os alemães fizeram com os judeus na era nazista; ou a matança de índios pelos conquistadores europeus nas Américas entre os séculos 16 e 18; ou o que os comunistas fizeram com inúmeros povos e nacionalidades ao longo do último século.

Pelo que se conclui do que os leitores de jornais brasileiros declaram, os EUA estão no Iraque para não deixar um iraquiano sequer vivo. Das duas uma; ou os americanos têm campos de concentração e gulags muito bem escondidos, ou não há em curso nenhuma ação genocida neste momento.

Mas o que esperar do povo de um país cuja imprensa só sabe definir tudo aquilo que não se encaixa nos padrões politicamente corretos como “nazismo”? O nazismo foi a ideologia que fez do genocídio o pilar de sua existência. Bush, segundo os jornais e os cartazes das manifestações, é Hitler. Por esta lógica...

Só que há uma peça sobrando nessa máquina: Se Bush, que embora tocando uma guerra em frente, respeita todas as convenções internacionais de direitos humanos no que concerne às populações civis e soldados capturados é “pior que Hitler”, como se poderia definir o que o próprio Saddam Hussein fez com as populações curdas ao longo dos anos 80?

Bigodes

Acho que a resposta está nas faces dos dois líderes em questão. Os garotões que entre um baseado e uma carreirinha vão às ruas protestar contra a “guerra imperialista” gostam de pintar um bigodinho à la Hitler no rosto de George W. Bush. Mas o sujeito que quisesse protestar contra Saddam Hussein não precisaria de hidrocor nenhum para pintar um basto bigode de Stalin na face do ditador iraquiano. Saddam é a encarnação perfeita do stalinismo; o mesmo stalinismo que o criou e guiou na adolescência e juventude. No entanto, para os brasileiros o bigodão de Stalin é invisível no focinho de Saddam. Eles só são capazes de ver o bigode de Hitler em Bush. Nem que para isto seja necessário pinta-lo com tinta preta.

"Na guerra de informações, quem perde é o telespectador..."

Foi com esta frase que Pedro Bial encerrou uma reportagem onde informações conflitantes oriúndas tanto dos iraquianos quando dos americanos foram apresentadas.

Estava correto o Bial. Mas como não há bem que sempre dure, logo ele entrou para falar com os participantes do Big Brother Brasil e definiu a guerra assim para eles: Venceram os interesses do Império e a guerra foi deflagrada... A monarquia voltou ao Brasil e não me avisaram!

Mas na guerra de informações, quem perde é a verdade. É o que prova a nota da Folha de S. Paulo do último dia 23:
Médicos brasileiros analisam a foto de Abbas Ali, o menino iraquiano de 4 anos que teve o rosto e o tórax totalmente queimados pelas "bombas" americanas.
A conclusão de Gino Arrunátegui, cirurgião plástico do Hospital das Clínicas da USP, foi que "a foto traz uma criança com queimaduras ocorridas há pelo menos duas semanas". Já Edmar Maciel Júnior, presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras, afirmou: "É uma montagem grosseira, apelativa. As queimaduras são antigas. Só enganam o público leigo."

E viva o império!

Frase da semana

A frase da semana é de um anônimo motorista americano preso no engarrafamento provocado por mais uma “manifestação pela paz” em San Francisco, Califórnia:

SEUS IDIOTAS. POR QUE NÃO VÃO PROTESTAR NA CORÉIA DO NORTE?

Fatos e fotos

Hoje eu pensei em alterar provisoriamente o template do Quando eu digo... para acrescentar a frase Um blog à favor da guerra no cabeçalho.

Desisti. Já sei que terei de explicar pra muita gente essa minha postura em relação à guerra sem essa pequena provocação; imagine com ela?

Em sã consciência, nenhum Ser Humano que se preza é à favor de uma guerra. Tenho lá minhas dúvidas se sou realmente um ser humano que se preza, mas sou contra as guerras de um modo generalizado também.

O problema é que eu tenho noção de que algumas guerras são — infelizmente — inevitáveis, e que esta guerra em questão tornou-se necessária, dado o desenrolar dos acontecimentos no Oriente Médio.

É obvio que os que mais padecem nessa história são os inocentes. E a mídia já está cumprindo o seu papel de divulgar para o mundo inteiro as fotos e relatos chocantes de crianças e velhos mortos e feridos pelos ataques.

Pode não parecer, mas tenho pena dessa gente. Por mais que eu estivesse torcendo para que fosse deflagrado um ataque contra Bagdá sem demora, o som das bombas e do revide das baterias me angustiou. O melhor à se fazer é torcer para que a guerra dure pouco e que o monstruoso Saddam seja apeado logo do poder pelo bem de seu próprio povo.

A melhor definição para isto veio do blog do
Alexandre Soares Silva: Fotografa-se o que acontece, mas não o que não acontece. Óbvio, dirá você. Mas pense nas conseqüências disso. Uma pessoa vê a foto de um mutilado de guerra (que está no meio de destroços, olhando tristemente para a câmera enquanto fuma um cachimbo) e imediatamente passa a ser contra a guerra que mutilou o mutilado. Se fosse possível, no entanto, fotografar o que deixou de acontecer por causa da guerra, a mesma emocional pessoa passaria a ser a favor da guerra. Algumas guerras fazem isso: criam um mutilado para evitar dois mutilados. E portanto se a razão mandar, em algumas guerras é preciso fazer isto: ao ver a foto do mutilado que houve, imaginar a foto dos dois mutilados que não houve. Pacifistas são pessoas sensíveis às fotos sangrentas que vêem e completamente frias em relação às fotos sangrentas que nunca verão, mas deveriam ter sido capazes de imaginar.

Michelle ma belle...

Michelle, a cadelinha de estimação de São Lula, foi levada numa Kombi do serviço da presidência da república de volta para casa, depois que ela “se comportou” mal durante uma reunião ministerial na Granja do Torto.

Michelle já foi vista assistindo filmes nacionais no colo de São Lula (Arthur Xexéo disse que ela é o cão mais entendido em cinema brasileiro do mundo); ganhou manchetes e fotos e status de celebridade. Agora participa das mordomias destinadas ao conforto da primeira família da república.

Falam que José Dirceu ou Frei Betto são as eminências pardas de São Lula. Não se engane, caro leitor; o Rasputim da corte petista atende pelo nome de Michelle.

Ah se fosse o Rogério Magri...

Ribombam os canhões lá fora e aqui reina a paz...

Hipnotizada pelo genocídio no Iraque, a mídia brasileira se “esqueceu” do Brasil.

“Esqueceram” de enviar um repórter para o Congresso Nacional essa semana, onde o deputado federal Alberto Fraga (PMDB – DF) prometeu mostrar as provas que teria de que a campanha eleitoral do PT teve financiamento direto das FARCs, a organização narcoterrorista colombiana muy amiga de São Lula e seus sequazes.

Segundo Fraga, as provas são “irrefutáveis” e provocarão um sério abalo na credibilidade do PT.

Mas nos jornais do Brasil vocês viram alguma coisa sobre isso?

Nem eu...

Saddam, caipirinhas e mulatas

Mas São Lula não parece muito preocupado com isso.

O mesmo Itamaraty que teve ordens de tratar as FARCs como “lutadores sociais” ao invés do tratamento correto de terroristas, agora recebeu ordens de Sua Excrescência de convidar Saddam Husseim a se asilar no Brasil, caso sobreviva à ofensiva americana.

Saddam pode terminar seus dias curtindo tudo o que este país abençoado por Deus e bonito por natureza tem para oferecer aos seus convidados ilustres. Camarote no Sambódromo, caipirinhas à vontade e a liberdade de arriscar uns passos desajeitados de samba com alguma mulata sestrosa.

São Lula assim só reforça o velho — e infelizmente correto — estereótipo do Brasil como valhacouto de bandidos internacionais. Vale lembrar que Joseph Menguele, o carrasco nazista que se divertia com “experiências” macabras com prisioneiros judeus, morreu placidamente em Bertioga, no litoral paulista e que o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner é figurinha constante nas ruas de Brasília, onde mora até hoje.

Já estou vendo Saddam freqüentando os churrascos da Granja do Torto com Lula a lhe servir uma lingüiça no espeto. Na volta uma Kombi da presidência pode deixa-lo em casa...

Bagdá-Berlim

Erram os analistas americanos que predizem a morte de Saddam Hussein num dos bombardeios à Bagdá. Todos sabem que o ditador fez construir ainda na época da guerra Irã-Iraque inúmeros bunkers subterrâneos onde ele poderia por anos até.

Segundo especialistas, os abrigos ficam em profundidades que impedem as explosões comuns de pôr em risco a vida de seus ocupantes. Nenhum míssil americano comum seria capaz de matar Saddam dentro de um destes bunkers.

Na guerra do Afeganistão, os EUA esperavam matar Osama Bin Ladem com um artefato especial, capaz de penetrar as cavernas onde os talibãs costumavam se esconder. Inúmeras destas bombas foram atiradas contra as cavernas afegãs mas Bin Ladem continua vivo.

Cada vez mais vai ficando evidente que a caçada a Saddam acarretará numa inevitável batalha por Bagdá, onde haverá uma encaniçada resistência da milícia republicana de Saddam.

Armas e disposição para derrotar a guarda de Saddam os americanos têm. Mas será que os EUA quererão arcar com o ônus das vidas humanas de ambos os lados que esta ação fatalmente tirará?

Se agora neguinho já acusa Bush de ge-no-ci-da, imagine quando as tropas americanas tiverem que explodir quarteirão por quarteirão de Bagdá?

Foi assim que os soviéticos chegaram até o bunker de Hitler em Berlim em 1945. Destruíram a capital nazista e tiveram uma das maiores perdas em número de soldados de todas as batalhas da Segunda Guerra Mundial.

Bagdá tem tudo para se tornar uma Berlim rediviva. É preocupante o custo que isto terá em danos materiais e em vidas (inocentes ou não) perdidas para ambos os lados. E os americanos ainda correm o risco de chegar ao bunker de Saddam para encontrar apenas o seu cadáver. Tal e qual os russos em 45.

Não é piada!

A melhor transmissão de notícias da guerra vem da RTP, emissora de Portugal (canal 59 da Net). Supera e muito as da CNN.



21.3.03
 
MEU BBB PARTICULAR

Desde que vim morar neste apertamento, a única coisa boa que achei aqui foi a vizinha da frente.

Além de ser uma morena mignon espetacular, daquelas que antigamente pararia o trânsito (hoje o trânsito pára por si mesmo, sem necessitar do auxílio de mulheres gostosas), ela tinha o hábito de ser "distraída" e adorar trocar de roupa com a janela aberta à qualquer hora do dia.

Não apenas eu, mas até meu pai e muitos amigos meus tiveram a oportunidade de constatar a "distração" da menina. Numa noite de sábado, haviam seis amigos meus disputando o parapeito da minha janela da sala em busca de uma boa vista para o espetáculo.

Foi neste mesmo sábado que um amigo meu conseguiu descobrir na Internet o telefone da rapariga. Discamos, ela atendeu, disse chamar-se Juliana, 20 anos, estudante de pedagogia da UFRJ e foi fazendo tudo aquilo o que pedíamos frente à janela. Quando já estávamos à ponto de decolar janela baixo, ela interrompeu a ligação e foi atender à porta. Entraram mais umas quatro ou cinco amigas dela, de igual quilate em matéria de gostosura, todas solícitas aos nossos pedidos.

Foi uma debandada escada abaixo para a porta do edifício dela. Batemos no interfone pedindo para subir. Elas negaram e pediram para que voltássemos para a janela, onde teríamos uma surpresa.

Voltamos ressabiados para constatar que todas as persianas de sua casa agora encontravam-se fechadas. Uns quinze minutos depois elas se abrirar para dar visão a uns cinco marmanjos, estilo pit-boy, convidados pelas vagabundas para nos humilhar. Mesmo sendo uns brucutús, não escaparam de nossos apupos.

Nos meses seguintes ela não mais fez strip-tease na janela. E um dos marmanjos passou a ser visto com freqüência na janela da vagaba. Ela arrumou um namorado.

Tempos depois, ela voltou a se "distrair" e a trocar de roupa na janela. Eu até então a observava escondido, entre as persianas da minha janela. Ela - sabe-se lá como - sabia direitinho que eu a observava, com direito à binóculos e tudo.

Num dia desses um amigo meu apareceu por aqui. Era um dos que estava aqui naquele dia. Estava conversando com ele na sala quando reparei que ela saia do banho e passeava nua pelo seu quarto. Fomos ambos para a janela admirar quando o namoradão pit-boy surgiu na janela nos encarando. Foi aí que perdí a compostura. Pus as mãos em concha e gritei: "Hei, carne de corno não é transparente! Sai da frente que eu quero ver!"

Ela nunca mais tirou a roupa sem antes cerrar as cortinas. É pena!. Perdí o meu Big Brother particular. Só me resta ligar na CNN e ver essa guerra...



20.3.03
 
GO AMERICA!
FUCK SADDAM



19.3.03
 
Louvado seja Deus que não sou bom,
E tenho o egoísmo natural das flores
E dos rios que seguem o seu caminho
Preocupados sem o saber
Só com florir e ir correndo.

É essa a única missão no Mundo,
Essa - existir claramente,
E saber fazê-lo sem pensar nisso.

Alberto Caeiro, Ontem à Tarde



 
TERGIVERSAÇÕES PRODUZIDAS SOB OS EFLÚVIOS DA DESCOBERTA DE UM NOVO BLOG SOB FORTE IMPACTO EMOCIONAL PÓS-RESOLUÇÕES DEFINITIVAS TRANSITÓRIAS SOB A ÓPTICA DE UM LIVRE-PENSADOR FRUSTRADO

Sempre disse que o único ser humano que valeu a pena e que eu gostaria de ter sido era Beethoven.

Mas sou reacionário demais para ser Beethoven. Politicamente comparando, eu estaria mais para um Strauss, com as pretenções intelectualóides de Wagner. Mas sou torturado como Tchaikovsky; judeu como Mendelssohn e Meyerbeer; priápico como Mozart e feio como Offenbach.

O fato de ser judeu me torna parte dos 2,3% da população mundial que também o são. O fato de gostar de música erudita me coloca entre os 5% do mercado consumidor de CDs deste gênero no Brasil. Que apenas 17% dos ouvintes de clássicos brasileiros tenham menos de 35 anos e que 2,7% sejam membros das classes C e D, faz com que eu esteja incluído entre os 0,0002% da população mundial com este perfil.

Logo, encontrar um blog cujo autor tem as mesmas preferências musicais que eu torna-se uma tarefa árdua.

E quando se encontra este blog estando sob impacto de uma recente perda, isso se torna motivo para comemoração.

Variações Enigma é o nome desta página. Recomendo a visita.



 
Definitivamente esta é a notícia mais escrota que já ouvi em toda a minha vida!

RESGATE DE CELULAR QUE CAIU NA PRIVADA MATA 3 NO QUÊNIA

Três homens morreram ao tentar recuperar um telefone celular que havia caído dentro de uma fossa sanitária na cidade de Mombassa, no Quênia.
O aparelho pertencia à estudante Dora Mwabela, que o deixou cair dentro da privada quando estava "atendendo a um chamado da natureza", como informa o jornal Daily Nation.
Ela ofereceu uma recompensa de 1.000 xelins (o equivalente a R$ 45) para quem conseguisse recuperar o telefone, que custa algo como 6.000 (R$ 270).
A maioria dos quenianos vive com menos de US$ 1 (R$ 3,39) por dia.

Recém-casado

Quem tentou o resgate foi o técnico de rádio Patrick Luhakha, 30 anos, que quebrou o piso do banheiro e desceu à fossa sanitária com a ajuda de uma escada.
Pouco depois, não havia mais sinais de Luhakha, e um vizinho, Kevin Wambua, foi procurar seu amigo.
Mas Wambua escorregou e caiu dentro da pestilenta massa acumulada no interior da fossa sanitária, debatendo-se sem conseguir sair.
Então um terceiro homem, John Solo, tentou resgatar os dois, enquanto policiais apenas observavam o que estavam acontecendo, de acordo com relatos da imprensa.

Impedido à força

Solo perdeu os sentidos a meio caminho da fossa sanitária, para onde também estava descendo com a ajuda da escada.
Populares conseguriam resgatá-lo, mas ele morreu a caminho do hospital.
Um quarto homem queria tentar resgatar seus amigos Luhakha e Wambua, mas foi impedido pela polícia.
“Os gases dentro daquele lugar devem ser extremamente venenosos, se levarmos em consideração o quão rapidamente essas pessoas perderam os sentidos”, disse o chefe interino da polícia de Mombassa, Peter Njenga.

O telefone celular não foi encontrado.



18.3.03
 
CITANDO E ANDANDO...

Bate-te a propósito de tudo; bate-te principalmente porque os duelos são proibidos, e que, por conseqüência, o bater-se exige dupla coragem.

Alexandre Dumas

(Sim, pois é com uma citação que se salva da falta de inspiração...)



17.3.03
 
INSÔNIA RIDES AGAIN...


 
INSPIRAÇÃO E TRANSPIRAÇÃO

Mas afinal de contas o que é inspiração?

Dependerá a inspiração do artista de algum sopro extra-sensório?

Meu pendor para o cabotinismo diz que sou um artista das letras e que me tornarei um escritor assim que meus momentos de inspiração se repitam com a freqüência necessária para se terminar meu romance. Minha modéstia inamovível diz que não sou artista e que escrever um livro não é um ato de inspiração, mas de talento e esforço. Transpiração.

Mas há momentos cada vez mais raros em que me sinto inspirado. Corri para o livro e buquei as palavras.

Nada.

Imaginei que a inspiração pudesse ser atiçada com algumas condições externas. Servi-me de uma dose de arak, pus a Cesária Évora no som e belisquei uns chocolatinhos. Nem o sabor de anis do arak, nem o doce do chocolate nem os cânticos de mãe-preta da Cesária me ajudaram.

Márcio sai de casa e caminha para seu escritório onde deve tomar o depoimento da viúva de Lauro Filho. Márcio ainda não sabe mas a viúva de Lauro Filho é Sílvia, mulher que o abandonou no passado e que o tornou incapaz de amar qualquer outra mulher. Márcio chega ao escritório e dá de cara com Sílvia nove anos depois que esta o trocou por um americano que era colega de Márcio na faculdade de direito. Márcio tem de tomar o depoimento de Sílvia mas não consegue disfarçar a perplexidade do encontro.

Esta é a cena que eu tenho que descrever. Mas nada sai da ponta de meus dedos. Tenho as cenas na mente, sei os diálogos, o cenário, tudo. Mas as palavras não saem. Não estou inspirado.

Mas e essa insônia? E essa angústia leve que me prende nesta cadeira e que fixa meus olhos para a tela em branco desta maldita máquina? Não seria isto a inspiração se manifestando? Ou será que eu devo procurar transpirar ao invés de esperar a inspiração me possuir?



16.3.03
 
AMIGA 1 - Tudo bem, querida?
AMIGA 2 - Tudo péssimo! Meu namorado me largou, estou desesperada, me ajuda!
AMIGA 1 - Mas o que houve? Por que isso assim, tão de repente?
AMIGA 2 - Não sei, não sei... Foi sem explicação!
AMIGA 1 - Ai amiga, pobrezinha... Você se lembra quando aconteceu a mesma coisa comigo?
AMIGA 2 (Já chorando) - Lembro... Ai, mas eu tô arrasada!
AMIGA 1 - Mas eu também fiquei arrasada! Só que eu me recuperei. Mudei meu penteado, fiquei loura, fiz academia, pus silicone, passei a sair mais à noite... E olha aí, estou bem hoje!
AMIGA 2 - É! Mas namorado novo que é bom...
AMIGA 1 - Mas quem disse que eu preciso de namorado? Só o fato de estar nova em folha, repaginada, já me sustenta!
AMIGA 2 - É... Acho que você tem razão...
AMIGA 1 - Abriu uma butique nova no shopping. Vamos lá que você cura essa fossa num instante...

* * *

AMIGO 1 - Fala rapá! Como está essa força? Que cara é essa?
AMIGO 2 - Porra cara, tô na merda...
AMIGO 1 - Mas o que houve, amigão?
AMIGO 2 - Minha namorada... Me largou ontem!
AMIGO 1 - Mas como? Assim, sem mais aquela?
AMIGO 2 - Foi... Disse que quer dar um tempo na relação, que precisa de seu espaço, etc...
AMIGO 1 - Mas que bosta, rapaz! Mas você vai ficar assim, desse jeito?
AMIGO 2 - Quem sabe ela põe a cabeça no lugar uma hora dessas...
AMIGO 1 - Vai tomar no cu! Vamo lá no bar que a Martinha deve chegar mais tarde. Ela tá com umas primas de Brasília hospedadas em casa...
AMIGO 2 - Primas? Gostosas?
AMIGO 1 - São duas. Quem já viu disse que são show de bola!
AMIGO 2 - Vamo nessa, já! Uma é minha a outra é tua!
AMIGO 1 - Esse é o meu amigo velho de guerra! E a fossa?
AMIGO 2 - Fossa? Que fossa, porra? Tem camisinha aí?



 
Canto de Ossanha
(Baden Powell e Vinícius de Moraes)

O homem que diz "dou" não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz "vou" não vai
Porque quando foi já não quis
O homem que diz "sou" não é
Porque quem é mesmo é "não sou"
O homem que diz "tô" não tá
Porque ninguém tá quando quer

Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor

Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

Amigo senhor, saravá,
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom se doer
Pergunte ao seu Orixá o amor só é bom se doer

Vai, vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, dizer

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor



15.3.03
 
O PIANISTA

Acabei de chegar do Escada Shopping (Cujo nome de batismo vem a ser Botafogo Praia Shopping) onde peguei a sessão das 23:35 de O Pianista, filme mais recente de Roman Polanski.

Antes de mais nada, é bom que se avise ao leitor incauto que por acaso passar os olhos por sobre este post de que estou muito longe de ser um cinéfilo. Pouco vou ao cinema. Tenho a mania de não ir ao cinema desacompanhado sob hipótese alguma; detesto ver fílmes no vídeo (O DVD ainda passa longe daqui de casa); na tevê, com intervalos e dublagem então nem se fala e mesmo quando arrumo companhia para ir a um cinema fico me irritando com os demais espectadores e a já habitual falta de educação brasileira. Conclusão: Sou um espectador quase leigo, que se compraz até com as coisas mais banais de Hollywood.

Mas um mínimo de sensibilidade suficiente para me permitir detestar Titanic ou Pearl Harbour ou de saber o valor que um bom Polanski tem, eu possuo. Logo não precisei de muito esforço para galgar os sete andares até o Cinemark do Escada Shopping.

Eu bem sei que o meu leitor sabe de que tipo de filme O Pianista se trata. Eu deveria saber. Até hoje não assisti A Lista de Schindler por pura falta de coragem. Chamar-me-ão de covarde, e assumo! Nunca chorei em filme algum e não assisti A Lista... para me manter invicto. Mas nem pensei que O Pianista fosse de igual teor emotivo. Ou melhor dizendo, pensei mas não atentei para o fato. Entrei, sentei-me e pus-me a assisti-lo.

Disse eu que jamais chorei em filme algum. As seqüências iniciais de O Pianista são um choque. A vontade veio com os velhíssimos sintomas: O nó na garganta, o buraco no peito, os lábios que se contraem numa mordida nervosa... Aguentei tudo, aguentei o avô na cadeira de rodas sendo lançado janela afora pelos nazistas, aguentei as execuções mostradas com crueza e meus olhos permaneceram secos, apesar de tudo.

Se você ainda não viu o filme e pretende ve-lo, cesse a leitura desde já. Mas a torneira se me abriu não durante as cenas violentas ou humilhantes, mas quando Szpilman já escapou do Gueto de Varsóvia e é abrigado pela Resistência num apartamento bem no coração da zona alemã. O apartamento estava oficialmente desabitado, logo qualquer ruído denunciaria a sua presença ali. No apartamento há um velho piano de armário. Szpilman senta-se ante o teclado, prepara-se e toca as notas do Noturno de Chopin. Com os dedos nos ares, imaginando a melodia. Foi aí que eu sucumbi.

E chorei. Chorei por todos os choros que meu orgulho de macho bobo não chorou em 23 anos. Chorei o que eu evitei de chorar ao não assistir A Lista de Schindler. Chorei pelas cenas anteriores, chorei por mim, pelo mundo, pela Humanidade, pelo passado, pelo presente e pelo futuro.

O saldo final que ficou em mim foi o de uma espantada perplexidade. As luzes ao final dos créditos denunciaram mais algumas dezenas de chorões que nem eu, a tentar inutilemente ocultar os olhos marejados como eu. Catártico e necessário.

Pero io sono una bruta bestia! Depois de um dia como o que eu tive hoje, ir ver logo um filme sobre o Holocausto, o que eu queria? Sair batendo os calcanhares de alegria? E me fazer acompanhar de três judeus como eu, onde as maldades nazistas ainda doem no inconsciente coletivo gerações passadas?

Hoje mais cedo, ao ir almoçar na rua, vi um senhor que já flagrei diversas vezes flanando pelas ruas do Flamengo. É joie de vivre em estado puro. Vive mexendo com os tipos urbanos, é conhecido dos botequineiros, funcionários do Hortifruti, porteiros, apontadores do jogo do bicho... Assemelha-se muito ao velho Adolfo Bloch, portanto tem um tipo físico judeu que só outro judeu como eu é capaz de perceber. Hoje ele estava na Buarque de Macedo a conversar animadamente com o tripeiro. Passei por perto e pude perceber que ele tem tatuados no antebraço esquerdo uma fileira azulada de cinco algarismos. Pensei em pará-lo, perguntar de que campo ele era sobrevivente, mas um pudor qualquer me impediu de fazê-lo. Da próxima vez que encontrá-lo hei de dar-lhe um abraço. Talvez ele não entenda à princípio mas eu explicarei a tempo.

Eu devia ter visto O Demolidor hoje ao invés d'O Pianista. Talvez eu só chorasse com a ruindade da fita.



 
Não digo que não tenha eu minha parcela , intransferível, de culpa.
E se a tive, meu erro maior foi o de enxergar em ti
As mais belas virtudes, a promessa do sorriso certo,
A possibilidade do amor descomplicado,
A turbulência da paixão desenfreada.
Há tanto que procuro por mim...
Que pensei finalmente ter-me encontrado em tuas palavras.
Ousei sonhar uma vez mais
E nestes sonhos imaginei-me ao teu lado
Entre risos entrecortados e beijos ensandecidos.
Imaginei-me tua.
Imaginei-te meu.
E mesmo que por um breve lapso de tempo,
Mesmo que tão somente em meu pensamento,
Assim aconteceu.
Ensaiados, os versos de amor não encontraram seu destino.
E os beijos, estes uma vez mais resignaram-se aos lábios meus.
Não foi desta vez.
Não ainda.
Não o tão desejado momento de amar.
Não o ser amada.
Pergunto-me ainda se chegará este dia, e quando.
Temo que seja tarde o dia em que ele finalmente chegue.
Que por fim encontre uma alma incrédula,
Um coração desacreditado
Ressequido, árido.
Choro por mim neste momento.
Mas choro muito mais por ti.
Perdestes a chance
E a perdestes, inegavelmente,
De ter sido verdadeiramente amado.

Randy Crawford - "Who's crying now"

Isso e muito mais em Pensamentos Imperfeitos, o mais recente link do Quando eu digo...



14.3.03
 
Na vida de um homem, a última coisa que pode ser roubada é a sua dignidade.

Ninguém roubará de mim a minha dignidade. Sou um homem e lutarei até que minhas forças cessem por completo antes que arranquem de mim o meu amor-próprio.

Ninguém me rouba. Ninguém me conquista a não ser pela cordura, pela amizade e pela confiança. A traição, o ludibrio e a covardia não mais me afetam. E jamais foram capazes de extrair de mim o meu orgulho.

Sou um homem. E assim pretendo continuar.



 
MISTÉRIOS DA MÚSICA

É fácil supor o que leva um jovem estudante de música a optar por instrumentos como piano, violino, contrabaixo e até harpa (embora só haja mulheres harpistas).

Mas o que leva um jovem a optar por tocar corne inglês, ou tuba, numa orquestra?

Nunca vi uma criança que dissesse: "Quando eu crescer quero tocar celesta".

Conclusão: De onde saem tubistas, cornistas e celetistas para as sinfônicas de todo mundo?



11.3.03
 
AUTO-ENTREVISTA COMIGO MESMO

Todos os meus 12 leitores querem saber quem é, na verdade, Victor Grinbaum, o homem, o mito, o pop-star, o sex symbol, o estadista, o Paulo Francis brasileiro. Quais são suas angústias, o que passa pela sua cabeça, quanto tem na sua carteira, quantas mulheres o sustentam?

Só eu, Victor Grinbaum, o homem que quando diz, fala, seria capaz de compreender essa personalidade complexa, esse caráter duvidoso, este homem atormentado (porém macho) que sou eu mesmo. Depois de muito insistir, consegui uma entrevista exclusiva comigo mesmo, apesar de minha agenda lotada e de, por princípio, não conceder entrevista a jornalistas medíocres.

Victor Grinbaum recebeu-me na intimidade de seu banheiro, de onde despacha diariamente e escreve seus contundentes e polêmicos artigos. Durante duas horas, sem puxar a descarga, Victor falei-me de sua (minha) vida e seus (meus) planos para o futuro próximo quando pretende morrer e sair de férias:

VICTOR GRINBAUM — Como anda o meu coração?
VICTOR GRINBAUM — Cardiológicamente falando, está zero quilômetro. Sentimentalmente está melhorando. Já não sou mais um adolescente que crê em besteiras, em "mulher da minha vida", essas asneiras. Mas de vez em quando tenho minhas recaídas e fico bobo. Mas agora eu estou definitivamente imbuído no meu projeto de crescer como indivíduo, cuidar de mim, do meu futuro e fazê-lo por mim mesmo, sem "muletas"... Porra, isso tá parecendo consultório de analista. Pergunta outra coisa, ô viado!
V.G. — E o trabalho?
V.G. — Normal. Tenho um emprego que detesto e que pretendo abandonar em breve, assim que puder. Mas não poderei abandona-lo sem antes conquistar alguma estabilidade financeira, que só possível para mim hoje através do meu trabalho atual. É como um segredo de Tostines ou como aquele conceito da cobra que engole o próprio rabo. Sorites.
V.G. — Como vão as relações com a família?
V.G. — Adoro toda a minha família. No álbum de retratos.
V.G. — Isso significa que eu sou um ermitão, um misantropo? Ou que eu odeio a instituição família?
V.G. — Muito pelo contrário! Sou a mais sociável das criaturas hoje em dia. Só que eu gosto de ter meus momentos particulares de solidão. Isso não é misantropia ou "complexo de ostra". É uma espécie de recuo estratégico nas horas de aperto. Já a família eu detesto por questões particulares que não interessam a uma pessoa estranha à mim como eu mesmo. E essa de "instituição família" é foda, Grinbaum! Você anda lendo livros da Marilena Chauí por acaso, ô ignorante?
V.G. — Quem, eu?
V.G. — É, eu mesmo!
V.G. — Tá louco?
V.G. — Porra, depois de me soltar um "instituição família" você é bem capaz de começar a pontuar as minhas frases com "a nível de..." ou "enquanto qualquer-coisa..." Eu não falo essas merdas, cacete!
V.G. — Pois então vamos voltar a entrevista e eu prometo me segurar-te.
V.G. —Sabe, Victor Grinbaum? Às vezes eu acho que você é um completo analfabeto!
V.G. — Quais são os meus hobbies?
V.G. - Não vou dar uma de Carla Perez e responder que é de algodão e rosinha. O meu é de seda e cor-de-vinho, como convém a um aristocrata como eu.
V.G. — Fala sério, pô!
V.G. — É, eu tenho razão. Essa piadinha foi de lascar... Pois bem, já cultivei muitos hobbies: Filatelia, jardinagem, culinária... Mas há pouco tempo percebi que eles haviam deixado de ser uma simples válvula de escape para se tornar uma fuga. Daí parei com tudo para me concentrar nos meus objetivos. Estou tentando isso nesse momento.
V.G. — Mudando de assunto, o que mais me incomoda?
V.G. — Depende. No momento é essa sua barriga que não pára de crescer. Já engordei dez quilos desde o reveillon e não consigo emagrecer de jeito nenhum, mesmo segurando o seu apetite. De maneira geral o que me incomoda é a burrice, a alienação, a hipocrisia...
V.G. — Isso tem a ver com as suas posições políticas?
V.G. — Tem tudo a ver! Onde mais, principalmente no Brasil, grassa a burrice e a hipocrisia? Na política, principalmente na esquerda, claro! Quem é que falsifica a História, inverte tudo, mente, engana, frauda e ilude?
V.G. — O que significa para mim ser de esquerda?
V.G. — Significa apenas uma tentativa, muitas vezes infrutífera, de se afastar da vaidade excessiva, da egolatria, da hipocrisia. Seria muito mais fácil para mim me tornar um completo alienado, ou então optar por um caminho simplório e adotar uma ideologia bem palatável para os tolos e obter um atestado automático de inteligência. Se eu quisesse facilidade trocava minha admiração pelo Olavo de Carvalho por Luís Fernando Veríssimo ou um fariseu desses qualquer. Se eu quisesse bajulação, vestiria uma boina preta, uma camiseta de Che Guevara, passaria no vestibular da Uerj me declarando pardo e passaria dez anos enfiado lá dentro decantando as maravilhas de Cuba para a estudantada sem ter de abrir um livro. Ou então fumaria maconha para “expandir minha mente” e ser “inteligente”... Enfim, essas cretinices de que a minha geração está cheia. Quem quer moleza senta num pudim.
V.G. — Você então se declara uma pessoa absolutamente desprovida de vaidades?
V.G. — Sabe o que eu mais odeio? É essa gente que faz um blog e fica postando todos os dias os seus problemas pessoais ou falando de si o tempo todo. Eu jamais faria isso!
V.G. — Você é intolerante?
V.G. — Quem é você para me fazer uma pergunta dessas? Retire imediatamente o que disse!
V.G. — Ok. E para esta semana, quais são os meus planos?
V.G. — Eu embarcaria para São Paulo à trabalho mais tarde, mas na última hora não houve mais necessidade de que eu viajasse. Quer saber, foi melhor assim. Não tenho nada mais naquela cidade além de compromissos de trabalho.
V.G. — Mas você já gostou muito de São Paulo, né?
V.G. — Já sim, quando eu era idiota e acreditava em um porrilhão de coisas que abstraí depois que abri os olhos. Nada contra a cidade em si mas não existe mais nada que me ligue àquele lugar.
V.G. — Algum romance em vista?
V.G. — Sexo casual é o que há! Nada de laços sentimentais. Isso é uma tremenda armadilha e eu não caio mais nesse papo-furado.
V.G. — Para terminar esta entrevista, Victor, uma última palavra:
V.G. — Claro! Zwingliano.



10.3.03
 
A FÓRMULA DE FELICIDADE DOS TOLOS

Já não é a primeira vez que comento aqui o que significou o meu encontro com o pensamento de Olavo de Carvalho. Resumidamente falando, creio que a ciência de que havia uma pessoa com acesso à grande imprensa que raciocinava da mesma maneira que eu foi uma mudança estupenda na minha vida.

Até então, eu me considerava como o último sobrevivente de uma espécie de avis rara extinta: a do indivíduo intelectualmente independente. Foi quando encontrei numa manhã de sábado em setembro de 2000 o artigo Antifascismo Hitlerista que me chamou a atenção para a figura de O de C. Vi que não estava sozinho e a descoberta posterior de que havia muito mais gente além de Olavo de Carvalho e eu que pensassem daquela maneira serviu para me tirar de um isolamento em que me encontrava.

Por toda a minha vida, contei vencer na vida com a característica que os outros mais exaltaram em mim: Minha inteligência. De tanto ouvir falar que eu era inteligente eu acabei acreditando nisso e de tanto constatar que as pessoas de minha geração não me alcançavam em matéria de cultura e sapiência, passei a crer que bastaria a mim exibir meus conhecimentos como um macaquinho de circo para que o mundo se rendesse aos meus pés. O mundo inteiro era burro e eu, com minha inteligência, poderia facilmente obter o que bem quisesse dele; dinheiro, fama, reconhecimento. “Em terra de cegos quem tem um olho é rei!”

Até aquele setembro, era esse o meu grande trunfo, minha única garantia. Estava tudo traçado. Depois que eu soube, através de O de C que o mundo não seria jamais dos inteligentes e que a estupidez é que estava destinada a triunfar sobre a cultura, tudo virou de pernas para o ar. A cada diz fui esbarrando em acontecimentos que confirmavam esse prognóstico terrível. A burrice é refratária a qualquer conhecimento e se reproduz. Nessa nova terra de cegos, quem tem um olho não é mais do que caolho. E quem tem os dois bem abertos é fascista.

Mesmo antes de conhecer Olavo de Carvalho eu já era apontado como fascista. Houve um determinado momento de minha vida em que “Victor, o Inteligente” transformou-se em “Victor, o Fascista”. Os mesmos que outrora predestinavam-me um futuro brilhantes agora me viravam a cara. Durante algum tempo eu mesmo cheguei a me acreditar fascista e morria de medo de mim mesmo, de minha cabeça, de minha inteligência. Queria ter nascido burro e conformista só para poder deixar de ser fascista. Assim como acreditei na minha inteligência, acreditei no meu fascismo.

Foi quando eu me tornei a mais prepotente das criaturas. Pois se eu era inteligente e os outros burros, se eu era fascista e o resto mundo não, azar dos outros! Isolei-me, tornei-me quase um eremita, internei-me em Teresópolis, não sabia mais o que eram amigos, namoradas, estudos, vida, nada! Éramos apenas três “indivíduos”; eu, meus livros e minha solidão.

Hoje, nessa minha faze de vida D.C. (Depois de Carvalho) vejo que não sou nem inteligente e nem fascista. O mundo é que se cretinizou e embruteceu de tal maneira em que tudo se inverteu. E para vencer nesse mundo é necessário nivelar-se por baixo, aderir às patotas, entregar meu individualismo e minha independência à uma causa qualquer, de preferência bem brilhante e barulhenta, para obter sucesso na vida.

Daquela época só guardo um sentimento: Queria reencarnar bem burro pra poder pendurar uma estrelinha do PT na lapela e obter automaticamente inteligência, lucidez e charme. Eu seria bem mais feliz assim. A nova fórmula de felicidade instantânea no mundo dos tolos.



 
Entre a próxima terça (11/03) e quinta (13/03) meu endereço será a Rua Vergueiro, 1571 - Paraíso - SP. Os meus amigos paulistanos que por ventura quiserem me visitar devem procurar-me lá.

Já os meus inimigos que por ventura desejem me matar com uma carta-bomba devem endereça-la à Prefeitura da cidade de São Paulo em horário comercial aos cuidados da Sra. Marta Smith de Vasconcellos Matarazzo Suplicy.



8.3.03
 
Dia das mulheres? Legal!

Não que elas não mereçam, ao contrário, já que são as coisas que mais gosto nessa vida. Mas e que dia do calendário é dedicado a nosotros, homens?

E o que rola no dia das mulheres? Dá-se presentes? Cumprimentam-nas? Por quê 8 de março?

Quer saber? Mulher é bom mas dá um trabalho...



 
Acabei de corrigir uma injustiça histórica desta página incluindo o link do blog da Sue Medeiros, o Asa de Borboleta, entre os endereços recomendados pelo Quando eu digo...

Qual o motivo da inclusão tardia desta página? Simples: Eu havia me esquecido de fazer isso na época em que descobri a página e passei a acompanha-la quase que diariamente.

Eu e minha cabeça!

PS: Todo apoio à Sue na sua indignação. Todo apoio mesmo!



6.3.03


28.2.03
 
MALVADOS, POLITICAMENTE INCORRETOS E GENIAIS


Os Malvados é o último grito em matéria de quadrinhos no Brasil.

Cáusticos, infames e atrevidos, os dois personagens criados pelo artista André Dahmer são um alento em tempos de correção política.

Vale a clicada na figura acima.



27.2.03
 
A pergunta é da Inês, mas bem poderia ter sido escrita por mim mesmo:

Às vezes é melhor esperar fazendo-se o que se faz habitualmente do que esperar sem fazer nada. O problema é: que coisas eu faço habitualmente?

A resposta é do Felipe, mas poderia ter sido escrita por qualquer amigo meu:

Você habitualmente espera, e sem fazer nada.

Vem cá, é impressão minha ou estão tentando me imitar? Ou será que minhas crises são mais comuns e difundidas do que supõe a minha vã neurose?



 
LUZ DUM ESTRELA
(Teofilo Chantre)

Ja'me tem luz dum estrela
E na nha caminhad
Dinha lua ta vigiá
Pa tudo di bom
Ser v'rado prata
Pa um manto leitoso
Acolhê nhas posse

Bem divagarim
Brisa ta sussurá-me
Qu'ess dor di meu
Ta ser sepultode
Na imensidâo di bonança
Dess note tâo clara

E antom
C'tudo nha paz reencontrada
Um ta podê segui rumo
Di nha estrela
Qu'já pô ta brilhá na ceu
Di nha infortuna
Pa d'ze'me c'ma nha sina
Ja mudá

O idioma é o crioulo, falado em Cabo Verde e cantado por Cesária Évora. Com algum esforço é possível entender a letra desta canção.



26.2.03
 
TRIBALISTAS

Pra espantar meu mau humor dos últimos tempos, passei numa lojinha de CDs que descobri aqui perto de casa.

Comprei dois CDs tribalistas, mas antes que vocês pensem que se trata daquela estrambótica união de baianos chatos, paulistanos pretensiosos e cariocas deslocadas, digo; comprei um CD do grupo Água de Moringa, com músicas inéditas de Pixinguinha e outro de Cesária Évora, cantora cabo-verdiana.

Conheci Cesária Évora através de uma amiga francesa de meus pais, que trouxe um CD que era então (estou falando dos ídos de 1992, 93) best seller nas lojas francesas. Era Miss Perfumado, gravação com que Cesária se apresentou ao público gaulês.

Ex-colônia portuguesa, Cabo Verde fala um dialeto que é um amálgama de línguas nativas com o próprio português e pitadas de francês e inglês. O resultado é uma língua misteriosa - às vezes engraçada até - e sonora. E a música é muito parecida com o velho samba, com as cordas destacando-se bem à portuguesa e o ritmo africano a pontear. Uma mistura fantástica, plena de nostalgia, uma verdadeira viagem musical. O CD que comprei (já tinha outros) é exatamente aquele com que fui apresentado à cantora: Miss Perfumado.

Já o CD do grupo Água de Moringa, As Inéditas de Pixinguinha, temos o melhor do velho mestre em músicas jamais gravadas. Participação de Monarco, Martinho da Vila e Nei Lopes. Choro de verdade, samba autêntico que espantou bem o meu mau humor.

Tribalismo é isso. Aprendam meninos...



25.2.03
 
Não me perguntem o motivo que eu não sei mesmo, mas fui invadido subitamente por uma espécie de nostalgia da loucura.

Estou me vendo amarrado numa camisa de força, trancado numa sala com as paredes acolchoadas, a cabeça raspada e a expressão alienada de quem está longe, muito longe...

Queria piar feito passarinho, cantar como cuco, ser Napoleão, invadir a Rússia, rasgar dinheiro e comer cocô. Acho que finalmente atingiria a razão plena!



24.2.03
 
Há uma fresta em minha alma por onde a substância do que sou está sempre se escapando mas não vejo onde nem por quê. Depressa, não há tempo a perder. Também tenho o meu preço mas ninguém conseguirá me comprar, todo o dinheiro do mundo não basta, hei de escapar com água entre os dedos da Coisa que me aprisionar entre os dedos — hei de fluir como um rio, dia e noite, nem que tenha de dormir de pé porque esta é a cama estreita que conduz ao reino dos céus. Não adianta pensar, a mão de Deus é pesada mas me protege a cabeça, tudo o que faço nasce feito, sozinho, não adianta chorar, meu Deus, nem tenho motivos para isso, muito pelo contrário, é preciso reagir, a literatura não adianta, e os livros na estante e o cinzeiro cheio de cinza e a luz da cozinha acesa, poderia fazer uma café, Antonieta dormindo e o botão do pijama, meu Deus, livrai-me do pijama, quero ser reto, quer ser puro, quero servir, pois vai trabalhar, moço, deixa de vaidade, tu és muito pretensioso, uma missão a cumprir, ora vejam, perdulário que tu és, a vida é breve, não incomoda os que trabalham, os trabalhos do homem são penosos, estou casado, estou cansado, estou abatido, em verdade estou destroçado, andei depressa demais, agora chega, basta, pára, pronto! Acabou. Assim. Fique quieto. Que nenhum som te denuncie. Calma. Não olhe. Não mexa. Não queira. Não estou dormindo, estou vigilante, hay que vigilar las tinieblas, capisca? Ai Minas Gerais, já ter saído de lá, tuas sombras, teus noturnos, teus bêbados pelas ruas, Eduardo Marciano, minha mágoa, minha pena, minha pluma, merecias morrer afogado, o barco te leva para longe, a praia está perdida, mas voltarás nem que tenhas de andar sobre as águas.
De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.

Fernando Sabino — O Encontro Marcado, 1956



 
PARA DESOPILAR O FÍGADO

Imitando o Cocadaboa e ampliando a minha sessão Eu não recomendo, aí vaí um link tosco e inútil para vocês desopilarem o fígado:

O troféu Bleargh da semana vai para o blog de Marinilda Carvalho, Marinildadas.

Em resumo: Jornalista de merda faz um blog de merda para propagandear sua inguinorança política de merda para leitores de merda. É shit do começo ao fim.

Como se não bastasse a moça ser petista (O que por si só já é extremamente broxante), com um nome desses deve ser uma mocréia daquelas de enfartar barata de susto.

Com essa gente só matando mesmo!



20.2.03
 
Justiça seja feita: Billy Cristal, aquela mala que apresenta as cerimônias do Oscar, fez um filme muito legalzinho há pouco tempo: Máfia no Divã, com o camaleônico Robert de Niro.

Ele faz um psicanalista nova-iorquino judeu (noblesse d'oblige) que se vê tendo que analisar nada menos que o capo da máfia local. (de Niro, impagável) Comédia como eu gosto! Já vi umas duas ou três vezes e adorei em todas elas.

Mas e o tal do Chevy Chase, heim? Que fim levou???






"A única maneira de protesto que conheço é a neurose."

Nelson Rodrigues (1912-1980)

MEU PERFIL:



Nome: Victor Grinbaum.

Idade: 23 Anos (com corpinho de 68)

Aspecto Físico: Careca, baixo, gordo, feio e sensual.

Animal de estimação: Minha Mãe.

Cantora favorita: Edison Cordeiro.

Cantor Favorito: Ângela Ro Ro.

Revista de cabeceira: Anal Sex. (para ler a crítica de Jazz).

Ideologia: Mezzo Comunista, mezzo Capitalista, mezzo Calabresa.

Simbolo Sexual: Hebe Camargo.

Filme favorito: As fantasias eróticas de Walt Disney.

Homem inteligente: Crest Anti-tártaro.

Pasta de dente: Jô Soares.

O que é Deus para mim: Uma espécie de Roberto Marinho do céu, só que um pouco mais jovem e menos poderoso.


Meu humor atual - i*Eu

Aqui você diz e fala:
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"O leitor é o supremo patrão, propósito e destinatário de todo jornalista. Salvo quendo ele descobre que a gente escreveu uma besteira. Nessa hora, pensa-se como o mundo ficaria melhor sem ele. Depois passa."
Elio Gaspari

EU RECOMENDO:

(Esse é o pessoal que faz a minha cabeça)

- Abrindo o Olho
- Agonizando
- Allegro
- Alexandre Soares Silva
- Alexandrinas
- Asa de Borboleta
- Austríaco
- Balagan
- Biblioteca Virtual Gilberto Freyre
- Blógico
- Cama Redonda
- Capitalismo
- Catarro Verde
- Cláudio Tellez
- Cocadaboa
- Contra a ilusão
- Direita
- Elas Por Elas
- Emotionrélio
- Eu Hein
- FDR
- George Orwell
- Hilda Hilst
- Homem Livre
- Ígnea's
- Instituto Liberal do Rio de Janeiro
- Jewish Encyclopedia
- Jewish World Review
- Kibe Loco
- Leite de Pato
- Letra miúda
- Lucida Lancis
- Lucubrando
- Marcelo Sved - A Vida Vista das Alturas
- Mishignes Online
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- Nelson Rodrigues
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- Notícias Blogulares
- Offmídia
- O Indivíduo
- Olavo de Carvalho
- O Polzonoff
- O Sopro do Minuano
- Outonos
- Página 18
- Patinando com o Alter-Ego
- Paulo Francis
- Pensadores Brasileiros (Eu tava lá até ser censurado)
- Pensamentos Imperfeitos
- Pensar enlouquece. Pense Nisto.
- Perplexos
- Pé Sujo Connection
- Pletz.com
- Primeira Leitura
- Pura Goiaba
- Sandro Guidalli
- Scientific American Brasil
- Se.liga.com.BR
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